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Como o RH brasileiro está influenciando as organizações globais

Terça, 27 de julho de 2010

Com o movimento de internacionalização das organizações, não é raro encontrar profissionais de RH brasileiros mudando-se para o exterior para assumir responsabilidade sobre times globais. Na bagagem, além da experiência profissional, eles carregam competências típicas de quem vive no Brasil e que fazem a diferença na jornada internacional. É o caso de Vicente Teixeira, CPO (Chief Personnel Officer) da Bunge, e Eliana Zem, vice-presidente sênior de RH para a América do Norte da Diageo, que, hoje, moram nos Estados Unidos. Como essas características os têm ajudado na atuação global?

“A partir das dificuldades que passamos ao longo dos anos, com pacotes e crises econômicas, desenvolvemos mais ‘jogo de cintura’; características como adaptabilidade e flexibilidade têm sido fortes competências dos brasileiros. Aprendemos a pensar diferente e a buscar soluções únicas para o momento, do tipo ‘aqui e agora’. Além disso, o brasileiro olha tudo de maneira mais simples e busca formas e processos descomplicados para alcançar resultados”, avalia Teixeira, que saiu do país para trabalhar na Bunge há dois anos e meio.

Eliana, que, desde 1998, atua na Diageo, onde também ocupou a diretoria de RH para a América Latina e, posteriormente, para a Grã-Bretanha, concorda que as inconstâncias econômicas tornaram os brasileiros mais adaptáveis e flexíveis, com muito poder de improvisação. Mais que isso. “Acredito que nós, brasileiros, trabalhamos e vivemos com tantas desigualdades a nossa volta, que toleramos a ambiguidade muito mais naturalmente que outros povos mais desenvolvidos. Olhar as coisas com relatividade nos ajuda a manter a mente aberta”, diz, ressalvando que nunca pensou de forma estruturada sobre o que difere os profissionais brasileiros dos demais e que generalizações podem ser perigosas.

Simplicidade e flexibilidade somam-se à afetividade e à esperança. “Por natureza, gostamos de nos relacionar com os outros. Relacionamentos significam mais portas abertas a cada dia, mais possibilidades”, opina a executiva da Diageo, assinalando que, além disso, o brasileiro é absolutamente crédulo. “A esperança é a última que morre ou, melhor, nunca morre! Parece bobo, mas isso pode ser muito poderoso no mundo das empresas estrangeiras. Tentar é fundamental. Sem esperança ninguém tenta nada e, sem experimentar, não há inovação”, sintetiza.

Igual, mas diferente

Teixeira, da Bunge, afirma que as atividades e o papel de RH são iguais em qualquer lugar do mundo, o que muda são o momento e as prioridades das empresas e a habilidade em reconhecer que existem maneiras diferentes de fazer RH, conforme a cultura local. “A Bunge é assim. Uma empresa com muita diversidade, que valoriza o potencial e o empreendedorismo das pessoas nas localidades em que está presente.”

E nesse caso as características brasileiras são fundamentais: “No Brasil, reconhecemos que as pessoas são diferentes e que precisam ser tratadas de forma diferente. Concordamos que pode existir mais de um caminho para chegar ao mesmo resultado. Mais do que técnica e processo, colocamos paixão no que fazemos. Gostamos de criar bom relacionamento com todos com quem trabalhamos. A meu ver, temos uma cultura mais de time e menos individualismo”, resume o CPO.

Eliana, por sua vez, destaca que a cultura da Diageo é tipicamente de alta performance, só que com cravo e canela. “Acho que existe um ‘calor’ brasileiro em torno das pessoas, muita paixão. E é isso que cria essa cultura especial, que combina os desafios sobre o que e como entregar com o suporte para que essas coisas se realizem.”



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